terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ando tão leve que não consigo fugir de coisas pesadas...

...e constantemente a dor era tanta, que sentia vergonha de doer...doía tanto que já era corriqueiro...já não significava nada...já não incomodava o outro...e tudo estava tão franzido que também já não marcava a vida. só a testa...

passou a ser seu nome...suas rugas, sua beleza, sua magreza...a dor era isso, rugas, beleza, magreza...

...a beleza de morrer de anorexia de amor...a beleza de ver a barriga murcha, seca...incompleta de vida e pronta pra morte...a velha e boa morte da representação...

a morte de estar, a morte de representar...a morte do não reconhecimento...a morte do sentido, do significado, a morte cheia de injúria, de solidão...que de tão só...lentamente vai pelo ralo sem ninguém nem quantificar se houve de fato perda...como água desperdiçada...desvalorizada...na rachadura da calçada do bairro...

tudo aquilo agora era dor e a dor era tudo aquilo, e mais alguma coisa que sabia que morava em algum canto que também doía...mas existia sem nome...

não não leia isso...não não leia como se sacasse uma revista na fila da americanas...

doía mesmo...de sangrar sangrar descontentamento...de inutilizar a existência e causar cansaço...dor...impossibilidade de gozo por qualquer coisa...até pelo alimento...

era pouco...tentar o contrário andava sendo pouco e o valor parecia tão, mas tão pequeno...o esforço...desanimador...

hoje ouviu da irmã que ela até gosta de ver a "érmã" assim, pois dá vontade de ficar junto e cuidar como bebê...

mas a verdade é que não sabe nem ser um bebê...porque eles se incomodam com a promessa incrível de que o mundo só está começando...e incomodar-se é então naquela hora sinônimo de alguma coisa...conteúdo, recheio...

e no entanto os segundo pareciam parados...distantes da completude dos minutos percorridos entre um pensamento e outro da perda dos amores...o único conteúdo era a perda...desta coisa louca e intensa que é o amor...que tantas vezes de tão grande não pode estar nas nossas mãos...

que doidera...

quiéisso???

Porque escolher a perda ou ganhar a perda???Porque isso????

que angustiante...

lá estava ela...Mathilda, escrevendo, registrando para compreender depois...

quem sabe, antes de ir...

3 comentários:

Anônimo disse...

Erica,fico feliz de ver que a senhorita não parou de escrever.está acontecendo alguma coisa?me mande emails, você me abandonou, não me escreveu mais.apareça para receber carinho.foi bom voltar aqui.beijo do amigo velho que cuidou de você e sente sua falta.

Anônimo disse...



"A vida
é breve,
a alma
é vasta:
ter é
tardar."

Anônimo disse...

Mas Matilda achava que amar
era não te que aprender
então bateu a porta
não viu água rolar
ladeira abaixo
e o amor cansado
atravessou a rua